A Inteligencia Competitiva nao será de Mercado

A revista Época São Paulo publicou recente matéria "Onde estão os melhores empregos."* Entre as 10 áreas mais promissoras está: Inteligência para empresas.

Na matéria um dilema foi resolvido. Chamar de Inteligência para empresas, o que muitas empresas e profissionais estão com dificuldade para diferenciar: chamar de Inteligência Competitiva ou Inteligência de Mercado, teoria que na prática não tem diferença.

Desde a proposta da necessidade de um sistema de inteligência sobre o concorrente, em Competitive Strategy, por Michael Porter, em 1980, que muitos não leram, ou esqueceram que existe, traduzido para muitos outros idiomas e para o português como: Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência – editado pela Elsevier.

Desde então, Porter afirma "a resposta para essas questões sobre os concorrentes criar uma enorme necessidade de dados. Dados de inteligência sobre os concorrentes podem vir de muitas fontes: relatórios publicados, pronunciamentos da administração de um concorrente para analistas de mercado, a imprensa especializada, a força de vendas, fornecedores ou clientes de uma empresa que seja comuns aos concorrentes, exame dos produtos de um concorrente, estimativas pelo pessoal de engenharia da empresa, conhecimento recolhido de gerentes ou de outro tipo de pessoal que tenha saído de empregos do concorrente, e assim por diante."

Marketing: Kotler

Em 2000, Kotler lançou seu livro Marketing Management: Millennium Edition, Tenth Edition, que em português é "Administração de Marketing – 10ª. edição – a edição do novo milênio" da Prentice Hall, onde em seu capítulo 4, Kotler escreve sobre um sistema de inteligência de marketing e no capítulo 8 como lidar com a concorrência e no sistema de inteligência competitiva.

Portanto, Michael Porter, escreveu seu livro com 20 anos de diferença. Porter sempre abordou Inteligência Competitiva como questão estratégica. Por isso, colaborou para fundar uma associação que de certa forma, pensa de forma qualitativa e não quantitativa como é a SCIP, a Strategic and Competitive Intelligence Professionals.

Diferente de Kotler, que pensou Inteligência Competitiva como uma questão mercadológica, de marketing, e que sempre no Brasil se traduz, ou se aproxima de mercado. Por isso, que a American Marketing Associantion tem maior abrangência de assuntos e associados.

Longe de certo ou errado. Porter e Kotler, são dois professores, autores, pesquisadores reconhecidos e renomados em seus campos de atuação, dos quais merecem muito respeito e muita consideração.

Quero iniciar um diálogo com os leitores e leitoras sobre esse contexto histórico recente, para que os profissionais e estudantes mais jovens, possam entender o porque da nomenclatura de Inteligência, dos cursos com nomes diferentes, dos programas com nomes diferentes, das abordagens diferentes, dos autores, enfim, da diversidade, das referências bibliográficas que podem buscar.

Existem empresas que buscam programas estratégicos, por isso tem optado pela abordagem da Inteligência Competitiva, pensam com mais tempo, nem dá para dizer "longo prazo", atualmente.

Outras, buscam programas táticos, ligados ao departamento de marketing, por isso, inteligência de mercado. E muito apoio à area de vendas ou comercial.

Excel, excel e mais excel

Agora nem sempre este trabalho realizado nas empresas é de Inteligência. Seja "competitiva ou de mercado", o que muitos profissionais ficam fazendo é transferindo dados de sistemas de tecnologia da informação que não conversam entre si para planilhas, para que seus gerentes possam estar bem informados. Ou seja, estão corrigindo erros de TI.

Inteligência é bem mais do que ler artigos de jornais; trata-se de desenvolver análises e perspectivas exclusivas relacionadas com o setor em que atua a respectiva empresa.

O que é Inteligência, sua função e o que deve gerar

O processo da coleta, análise e disseminação éticas de inteligência acurada, relevante, específica, atualizada, visionária e viável com relação às implicações do ambiente dos negócios, dos concorrentes e da organização em si, define Miller, (2002).

O processo de inteligência gera recomendações fundamentadas com relação a acontecimentos futuros para os responsáveis pelas decisões, e não relatórios para justificar decisões do passado. O processo acaba proporcionando oportunidades únicas relativas a decisões futuras que dão margem a vantagens sobre os concorrentes.

Enfim, uma área em expansão de trabalho, em expansão de conhecimento, em expansão de idéias, expansão de tecnologias, inteligências múltiplas - teoria proposta por Howard Gardner em 1983 para analisar e descrever melhor o conceito de inteligência.

E assim, chegamos até "MUITO ALÉM DO NOSSO EU - A nova neurociência que une cérebro e máquinas e como ela pode mudar nossas vidas" livro de Miguel Nicolelis, brasileiro que desde 1994 está à frente de um grande laboratório na Universidade Duke, o Duke's Center for Neuroengineering, base física das avançadas experiências com implantes de microeletrodos neurais em macacos que o tornaram conhecido no mundo todo.

Nicolelis escreve "neste livro, eu proponho que, assim como o universo que tanto nos fascina, o cérebro humano também é um escultor relativístico; um habilidoso artesão que delicadamente funde espaço e tempo neuronais num continuum em orgânico capaz de criar tudo que somos capazes de ver e sentir como realidade, incluindo nosso próprio senso de ser e existir. 

 Eu posso imaginar esse mundo futuro com alguma segurança baseado nas pesquisas conduzidas em meu laboratório, nas quais macacos aprenderam a utilizar um paradigma neurofisiológico revolucionário que batizamos de interfaces cérebro-máquina (ICM). Usando várias dessas ICMs, fomos capazes de demonstrar que macacos podem aprender a controlar, voluntariamente, os movimentos de artefatos artificiais, como braços e pernas robóticos, localizados próximo ou longe deles, usando apenas a atividade elétrica de seus cérebros de primatas. Essa demonstração experimental provocou uma vasta reação em cadeia que, a longo prazo, pode mudar completamente a maneira pela qual vivemos nossas vidas."

E fica a pergunta: com esta perspectiva de mudar completamente a maneira pela qual vivemos nossas vidas, como escreve Nicolelis, até quando vamos discutir se a Inteligência Competitiva é também de Mercado ou não?

Bom trabalho, boa sorte, espero sua opinião. E como diz o grande compositor e sambista, Arlindo Cruz, quem gostou, faz barulho aí...

Referências Bibliográficas

*CORONATO, Marcos, VICÁRIA, Luciana, CORNACHIONE, Daniela e BAHÉ, Marco. Onde estão os melhores empregos. Época São Paulo, n. 692, p.90-97, 22 ago. 2011.

MILLER. Jerry P. O Milênio da Inteligência Competitiva, Bookman, 2002.


Siga os posts do Administradores no Twitter: @admnews.

Alfredo Passos: Flavors.me

Partner da Knowledge Management Company. Professor de Inteligência Competitiva da ESPM. Doutorando em Administração, é o primeiro profissional da América Latina a ser honrado com o Prêmio SCIP Catalyst Award da Strategic and Competitive Intelligence Professionals – SCIP dos Estados Unidos da América. Autor de 5 livros sendo o mais recente: Homem no Fogão e Mulher na Gestão: como antecipar movimentos de mercado e da concorrência em um mundo dirigido pela maior participação das mulheres nas compras de produtos e serviços, através de Estratégia e Inteligência Competitiva com enfoque global e local, LCTE Editora, 2010. Escreve um blog diário sobre competitividade e é colunista dos Portais Baguete, Qualidade Brasil e Administradores.

5 Forças de Porter: utilize a figura correta

Turma,

Como orientador de trabalhos de conclusão de curso – TCC, tanto para graduação como pós-graduação e MBA, verifico que os estudantes estão utilizando uma Matriz muito importante, desenvolvida pelo Prof. Porter , de forma errada.

Muitos estudantes estão utilizando “As Forças que dirigem a concorrência na indústria”, ou seja, as 5 Forças de Porter de forma errada por estar disponível na internet, uma versão como a que segue abaixo:

692px-Cinco_Forças_de_Porter

Agora compare com a versão elaborada por Michael E. Porter em artigo publicado na Harvard Business Review, janeiro de 2008, que segue a figura também publicada em seu livro, Estratégia Competitiva, e portanto a correta:

porter5forces3

Percebeu a diferença entre a primeira e a segunda versão?

Não? Olhe onde Porter indica “Entrantes Potenciais” na segunda figura.

Observe onde estão os “produtos ou serviços substitutos” na primeira ilustração e na segunda.

Então, turma, no próximo trabalho, inclua a versão correta, quando fores mencionar as 5 Forças de Porter.

Bom trabalho!

Fonte: Porter, Michael E. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. – 2.ed. – Rio de Janeiro : Elsevier, 2004.

Estratégia Competitiva, Porter: Curtas 2

  • “O desenvolvimento de uma estratégia competitiva é, em essência, o desenvolvimento de uma fórmula ampla para o modo como uma empresa competirá, quais deveriam ser as suas metas e quais as políticas necessárias para levar-se a cabo essas metas”;
  • “A estratégia competitiva é uma combinação dos fins (metas) que a empresa busca e dos meios (políticas) pelos quais ela está buscando chegar lá.

Fonte: Porter, Michael E. Estratégia Competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. 2.ed.- Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

Estratégia Competitiva, Porter – Curtas

  • “Cada empresa que compete em uma indústria possui uma estratégia competitiva, seja ela explícita ou implícita”;
  • “A maior atenção ao planejamento estratégico formal levantou questões que há muito preocupavam os administradores:
    • o que vem dirigindo a concorrência em minha indústria ou nas indústrias nas quais estou pensando em entrar?
    • Quais atitudes os concorrentes provavelmente assumirão e qual a melhor maneira de responder?
    • De que modo minha indústria se desenvolverá?
    • Qual a melhor posição a ser adotada pela empresa para competir a longo prazo?”

Fonte: Porter, Michael E. Estratégia Competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. 2.ed.- Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

Queixas contra Telefônica crescem 84%

Levantamento exclusivo obtido pela Folha mostra que o número de reclamações de assinantes da Telefônica registradas na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) cresceu 84% em um ano.

Em abril, o órgão regulador recebeu 35.932 queixas contra os serviços de telefonia fixa e de banda larga prestados pela Telefônica, ante 19.443 registradas em abril do ano passado.

As queixas mais frequentes são de cobrança indevida e de problemas de reparo nas linhas. O levantamento foi feito pela Anatel, a pedido da Folha, e mostra um agravamento gradual do quadro.

Fonte: Folha de S.Paulo

Brasileiro é o menos preocupado em fazer pesquisas na hora da compra

O consumidor brasileiro é o que menos faz pesquisas para encontrar o produto mais adequado às suas necessidades quando decide trocar de computador.

Uma pesquisa conduzida pela Intel em 12 países mostra que apenas 64% das pessoas ouvidas fazem algum tipo de busca por informações antes de comprar um novo equipamento.

O país empata apenas com França nesse quesito. Mercados maduros como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido possuem índices de pesquisas de 68%, 80% e 73%, respectivamente.

“O resultado confirma uma característica da cultura do povo brasileiro, que prefere ouvir a opinião de outros consumidores e amigos a procurar uma fonte impessoal”, afirmou o diretor de marketing da Intel Brasil, Elber Mazaro.

Essa característica também pôde ser comprovada no estudo feito pela Intel, que aponta que 45% dos entrevistados fazem uso da mídia social, sendo que 18% procuram blogs e 17% dos consumidores freqüentam sites de redes sociais para procurar informações.

O estudo apresentado em 2009 mostra que a popularidade dos blogs como fonte de informação sobre computadores triplicou em comparação a 2008. Na pesquisa anterior, apenas 6% dos entrevistados disseram acessar blogs para suas pesquisas. “Em mercados emergentes, as redes sociais tem bastante importância. Tanto que na Índia, México e na parte rural da China esses índices são bastante expressivos”, analisou Mazaro.

Outra mudança registrada na pesquisa á motivação para a compra do computador. Enquanto em 2008, os dois principais motivos que levavam o consumidor a trocá-lo eram promoções em lojas e quebra do hardware, em 2009, a necessidade de softwares mais atuais e o desejo de ter um equipamento novo foram as principais razões apontadas, deixando o item promoção em terceiro lugar.

Apesar da média de 15 dias para a tomada de decisão para a compra de um computador, o perfil de cada pessoa é fundamental para determinar o tempo necessário antes de efetuar a compra.

Os experts em tecnologia são os que mais demoram em escolher um novo computador. Em média, eles levam 21 dias antes de fazer a compra e 16% afirmaram que o motivo que os levam a comprar um equipamento é o tempo de uso de seu PC anterior. Dentre os pesquisados, os experts são os que mais freqüentam sites como fórum de discussão e o que mais compra no varejo.

Já os consumidores pragmáticos levam apenas seis dias para decidir pela compra. O principal motivo alegado seria a necessidade de rodar softwares atuais. Os essencialistas, por sua vez, levam 18 dias para decidirem a compra e alegam o desejo de ter um novo computador na hora de trocar o seu computador.

Fonte: Burson-Marsteller.